
Amo-te, um sentimento? Uma necessidade? Um jogo?
A divergência existente numa palavra tão simples, mas tão profunda como esta, faz com que muitos a vulgarizem e outros lhe dêem demasiada importância…
Para quem critica a vulgarização da palavra e não aceita que esta seja imposta a torto e a direito tem de ser coerente consigo mesmo, então em que caso se ama? Quando se quer muito uma pessoa? Isso não é um sentimento, isso é uma necessidade de cada pessoa, “Eu amo-te porque me fazes bem e sinto a tua falta”, isto não é um sentimento, é uma necessidade de posse, se amar é querer muito uma pessoa a nossa beira, é verdadeiro que eu possa dizer a qualquer pessoa que me dê bem um “amo-te”, ora se não é isto então vós que amais poucas pessoas vulgarizam a palavra da mesma forma que todos os outros, claro que esta visão é um pouco dramática pois eu posso amar um objecto, a partir do momento em que o quero de forma exagerada…
Então basicamente o amor é um jogo de quereres, sendo que quanto mais difícil o jogo se torna, mais aliciante fica jogá-lo.
Então se neste momento a vontade é de simplesmente mandar-me a merda não temam, eu acuso-me, eu vulgarizo a palavra, não de forma exagerada, mas a razão pela qual eu a vulgarizo é porque é imposto que se eu não a digo então não posso de forma alguma nutrir um sentimento forte pela outra pessoa, pois para mim amar é o estado mais altruísta que se pode imaginar, sacrificando o que para mim seria de mais sagrado em prol de outra pessoa, e provavelmente para quem lê isto faz todo o sentido, mas o mais usual é que nunca se tenha dito a essa pessoa o amo-te, e porquê? É vulgar e não se aplicaria aquela pessoa, ou então só por vergonha, não nos sentimos a vontade para dizer uma amo-te a pessoa que realmente amamos…
D. Quixote que tinha essa coragem foi alvo dessa ilusão… Talvez seja algo mesmo inatingível, pois Romeu e Julieta também tombaram a esta ilusão.
