quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Fernando Impessoa


Dizes-me tu que eu penso
Em todo o meu sentimento
Que me perdi no imenso,
Ciclo a que chamas fingimento

Não te aceitarei razão
Dizes-me fazer viver
Mas só me matará o meu coração!
Quando decidir deixar de bater...

Eu vivo vendo esse vasto
Da tua infindável dor
Que ainda hoje há rasto

Rasto que tentaste apagar
Porque lhe falta aquela cor
A que me corre nas veias e da roleta ímpar

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

10 segundos de êxtase


Eu vivo agarrado
A inconstante felicidade
Não fosse eu forçado
Por minha própria personalidade
A ir ao abismo

Sei que no fim
Só me esperam desgraças
Mas mesmo assim
Caio nas suas graças

Dou tudo
Para sentir outra vez
O sentimento de estar mudo
E rir só porque 9+1 são dez

domingo, 5 de setembro de 2010

Falta de inspiração


Hoje só escrevo,
Sem nada para falar
Infelizmente estou
Simples demais para mim

Hoje não tenho opinião
Não se solta uma crítica
Esse espírito está sóbrio
De uma forma excessiva para meu mal

Hoje canso-me
De me ouvir lamentar
De deixar tudo para trás
De desistir do que o dia me dá

Hoje espero pelo dia a seguir
Para que tenha mais euforia e reacção
E em vez de me desculpar por evitar tudo que tenha de decidir
Vou de braços abertos procurar a minha própria inspiração

quarta-feira, 4 de agosto de 2010



Infelizmente é assim, já ninguém acredita em cavalheirismos, não se pode acreditar que alguém é bem-intencionado, quando essa pessoa mostrou um desejo de querer mais. A partir desse momento perdeu tudo, todas as boas intenções, todos os gestos, tudo que se fizer a partir de agora tem segundas intenções, mas de quem é a culpa? É dessa própria pessoa que queria mais, porque por se sentir mal neste desejo, fica preso na sua impotência e pensar que tudo que ele fizer daí para diante será visto como uma forma nova de “tentar a sua sorte” ninguém acredita em quem disse demais. Eu não sou jogador, daí não tentar a minha sorte e este jogo tão sujo prejudica os que não tentam. E os que arriscam demais, as vezes joga-se mais com o coração, e as jogadas saem mais de impulso, normalmente essas correm mal, isto até no próprio jogo do amor, onde as jogadas deveriam ser por impulso, ganha o que calcular melhor todos os seus passos.
Hoje em dia só acredita em contos de fadas quem está num, ou pelo menos pensa estar (porque amanhã o conto de fadas é outro), esses e quem quer reviver o conto de fadas, mas aí o herói é a personagem do conto de fadas anterior, por se querer reaver tanto a história o conto de fadas perde a sua magia…


http://www.youtube.com/watch?v=77ey1aWDnyY

Não faz parte dos meus gostos musicais, mas nada do que foi escrito faz parte propriamente dos meus gostos.


Keep walking all the way to your nirvana, See ya

domingo, 1 de agosto de 2010

Tacto


Perdi-me do meu sentido material
A aspereza da minha pele me impede
De sentir o liso dos teus cabelos
O bater do teu coração

Falta-me o toque, já não sinto
A rugosidade do teu envelhecer
O teu toque no meu corpo
A intimidade de uma troca de suores

Estou cheio, completamente carregado
Este vazio que transporto pesa-me
E me obriga a ficar parado

Eu curava este vazio, n fosse
A falta de sensibilidade epidérmica
O meu 5º sentido deixou-me,
Desapareceu-me o tacto

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Sonho


Ouve um dia em que eu sonhei
Que o amanhã seria melhor.
Que era só hoje
Que nuca mais tinha de me ver cair…

E o sonho prevaleceu
Fazendo-me aos poucos acreditar
Que eu iria percorrer um bom caminho
Que n iria ceder ao facilitismo

Hoje deitado devorando o papel
Revejo-me no espelho da minha mente
Volto a ver todos os meus traços que desvaneceram
O amanhã chegou e não traz um futuro quente.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

ARREPIO

A corrente que me apanha

Tem-me invadido a vida,

Que de dentro a congela

E lhe espalha o veneno suicida

Minha vida congelada,

Há feito muito mais que de vez

Em que esteve movimentada…

Pelo menos asneira, isso não fez!

O sangue que me corre sucessivamente

Me tenta a salvar a todo o custo

Do enterro prematuro

E tento e não consigo aquecer

Que em todo este tempo

O arrepio decidiu permanecer