quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Devaneios de outro D.Quixote


Amo-te, um sentimento? Uma necessidade? Um jogo?

A divergência existente numa palavra tão simples, mas tão profunda como esta, faz com que muitos a vulgarizem e outros lhe dêem demasiada importância…
Para quem critica a vulgarização da palavra e não aceita que esta seja imposta a torto e a direito tem de ser coerente consigo mesmo, então em que caso se ama? Quando se quer muito uma pessoa? Isso não é um sentimento, isso é uma necessidade de cada pessoa, “Eu amo-te porque me fazes bem e sinto a tua falta”, isto não é um sentimento, é uma necessidade de posse, se amar é querer muito uma pessoa a nossa beira, é verdadeiro que eu possa dizer a qualquer pessoa que me dê bem um “amo-te”, ora se não é isto então vós que amais poucas pessoas vulgarizam a palavra da mesma forma que todos os outros, claro que esta visão é um pouco dramática pois eu posso amar um objecto, a partir do momento em que o quero de forma exagerada…
Então basicamente o amor é um jogo de quereres, sendo que quanto mais difícil o jogo se torna, mais aliciante fica jogá-lo.
Então se neste momento a vontade é de simplesmente mandar-me a merda não temam, eu acuso-me, eu vulgarizo a palavra, não de forma exagerada, mas a razão pela qual eu a vulgarizo é porque é imposto que se eu não a digo então não posso de forma alguma nutrir um sentimento forte pela outra pessoa, pois para mim amar é o estado mais altruísta que se pode imaginar, sacrificando o que para mim seria de mais sagrado em prol de outra pessoa, e provavelmente para quem lê isto faz todo o sentido, mas o mais usual é que nunca se tenha dito a essa pessoa o amo-te, e porquê? É vulgar e não se aplicaria aquela pessoa, ou então só por vergonha, não nos sentimos a vontade para dizer uma amo-te a pessoa que realmente amamos…

D. Quixote que tinha essa coragem foi alvo dessa ilusão… Talvez seja algo mesmo inatingível, pois Romeu e Julieta também tombaram a esta ilusão.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Acorda


Encontrei uma mensagem perdida no chão
"Aproveita o dia este te dará inspiração"
Eram as palavras que emergiam do papel
Eram as tintas que Van Gogh tinha no pincel

Acorda, não fiques adormecido
A vida deixa os que dela tenham desistido
Move-te por 10 segundos de alegria
10 segundos da tua vida que são pura magia

Eu acredito na natureza de cada um,
Natureza que não acolhe problema algum.
Portanto deixa de lamurias momentâneas
Procura aventuras e emoções instantâneas

Não deixes que te fuja uma oportunidade,
Não percas a tua vivacidade
Não deixes que te escorra a inspiração
Porque hoje é óptimo, mas amanhã já não.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Fernando Impessoa


Dizes-me tu que eu penso
Em todo o meu sentimento
Que me perdi no imenso,
Ciclo a que chamas fingimento

Não te aceitarei razão
Dizes-me fazer viver
Mas só me matará o meu coração!
Quando decidir deixar de bater...

Eu vivo vendo esse vasto
Da tua infindável dor
Que ainda hoje há rasto

Rasto que tentaste apagar
Porque lhe falta aquela cor
A que me corre nas veias e da roleta ímpar

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

10 segundos de êxtase


Eu vivo agarrado
A inconstante felicidade
Não fosse eu forçado
Por minha própria personalidade
A ir ao abismo

Sei que no fim
Só me esperam desgraças
Mas mesmo assim
Caio nas suas graças

Dou tudo
Para sentir outra vez
O sentimento de estar mudo
E rir só porque 9+1 são dez

domingo, 5 de setembro de 2010

Falta de inspiração


Hoje só escrevo,
Sem nada para falar
Infelizmente estou
Simples demais para mim

Hoje não tenho opinião
Não se solta uma crítica
Esse espírito está sóbrio
De uma forma excessiva para meu mal

Hoje canso-me
De me ouvir lamentar
De deixar tudo para trás
De desistir do que o dia me dá

Hoje espero pelo dia a seguir
Para que tenha mais euforia e reacção
E em vez de me desculpar por evitar tudo que tenha de decidir
Vou de braços abertos procurar a minha própria inspiração

quarta-feira, 4 de agosto de 2010



Infelizmente é assim, já ninguém acredita em cavalheirismos, não se pode acreditar que alguém é bem-intencionado, quando essa pessoa mostrou um desejo de querer mais. A partir desse momento perdeu tudo, todas as boas intenções, todos os gestos, tudo que se fizer a partir de agora tem segundas intenções, mas de quem é a culpa? É dessa própria pessoa que queria mais, porque por se sentir mal neste desejo, fica preso na sua impotência e pensar que tudo que ele fizer daí para diante será visto como uma forma nova de “tentar a sua sorte” ninguém acredita em quem disse demais. Eu não sou jogador, daí não tentar a minha sorte e este jogo tão sujo prejudica os que não tentam. E os que arriscam demais, as vezes joga-se mais com o coração, e as jogadas saem mais de impulso, normalmente essas correm mal, isto até no próprio jogo do amor, onde as jogadas deveriam ser por impulso, ganha o que calcular melhor todos os seus passos.
Hoje em dia só acredita em contos de fadas quem está num, ou pelo menos pensa estar (porque amanhã o conto de fadas é outro), esses e quem quer reviver o conto de fadas, mas aí o herói é a personagem do conto de fadas anterior, por se querer reaver tanto a história o conto de fadas perde a sua magia…


http://www.youtube.com/watch?v=77ey1aWDnyY

Não faz parte dos meus gostos musicais, mas nada do que foi escrito faz parte propriamente dos meus gostos.


Keep walking all the way to your nirvana, See ya

domingo, 1 de agosto de 2010

Tacto


Perdi-me do meu sentido material
A aspereza da minha pele me impede
De sentir o liso dos teus cabelos
O bater do teu coração

Falta-me o toque, já não sinto
A rugosidade do teu envelhecer
O teu toque no meu corpo
A intimidade de uma troca de suores

Estou cheio, completamente carregado
Este vazio que transporto pesa-me
E me obriga a ficar parado

Eu curava este vazio, n fosse
A falta de sensibilidade epidérmica
O meu 5º sentido deixou-me,
Desapareceu-me o tacto